A Despedida Não é o Fim…

mar 22, 2018

A despedida trás a tona a retrospectiva de cada história dos momentos vividos.

 

Ainda que bons ou ruins, a despedida é necessária, para não somente recomeçar, mas para também entender a importância e o significado que algo ou alguém trouxe.

Ainda que faltem palavras para denotar sentido ao que se sente, as vezes é preciso calar-se e deixar-se sentir sozinho o luto daquele fim. Porque muito embora tudo possa ser explicado, nem tudo cabe ser racionalizado, medido ou ponderado.

Cada história tem pelo menos duas versões da mesma, portanto, duas despedidas, dois lutos, e infinitos motivos e sentimentos que permeiam o todo.

 

Aprendi que cada ser humano tem pelo menos um motivo para ser quem é, para fazer o que faz e sentir o que sente. Cada ser humano é especialmente único e capaz de perceber o mundo sob uma ótica única e personalíssima. Diante disso, a despedida não é somente um meio para o fim, ou tão somente o fim, a despedida é um elo que une memórias, sentimentos e emoções vividas que serão enterradas por um motivo de viver algo maior, e quem sabe, melhor.

 

A vida inteira, durante vários momentos de nossa história, aprendemos que devemos dar boas vindas, como bons brasileiros, aprendemos a ser receptivos ao que nos é novo, seja algo ou alguém, mas por quê não nos ensinaram a dizer adeus? Por quê não nos disseram que o adeus poderia ser tão bom quanto o ” seja bem vindo” ? É preciso mudar isso! Não que eu queira dizer adeus sempre, o fato não é a constância, mas a relevância e o peso que colocamos em coisas que não deveriam.

A despedida não é o fim, é só um novo começo de algo, é o ponto de partida e de mudança, é a parada que estabelecemos, aquele banquinho na praça em que sentamos, olhamos as crianças brincarem, admiramos com o coração cheio e os olhos em lágrimas. E deste banco levantamos, pegamos as sacolas e seguimos em frente. Ao deitar, recordamos do dia, lembramos da praça, das crianças, e por vezes sempre sentamos naquele banco, ora com o dia ensolarado, ora chuvoso, outrora quente, outrora frio.. Mas aquele banco sempre estará lá.

 

Eu vou me sentar frequentemente no banco, olhar ao redor, respirar fundo, talvez eu enxugue algumas lágrimas, talvez eu solte alguns sorrisos despercebidos, mas é naquele banco, em que sempre passarei perto, é que eu vou saber que momentos eu vivi, eu senti, eu existi.

Eu me despeço, vou embora e deixo ir embora, mas o banco está lá, e nele depositei nossas memórias.

 

A despedida não é fim, é só um ponto de partida.
Sabrini Yanssini

Sabrini Yanssini

Autora

Ela é de contábeis, não só de números, mas de palavras e sentimentos. A mineira que descobriu a poesia como sua melhor companhia no caos da terra da garoa.

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